Incentivado por ser o partido do presidente da República substituto, Michel Temer, o PMDB mineiro, especialmente o de Belo Horizonte, também decidiu entrar no páreo sucessório na capital mineira, hoje mais ocupado pelas forças do campo político do PSB e do PSDB. Nessa sexta-feira (3), a executiva municipal (provisória) reuniu-se com o presidente da Assembleia Legislativa, Adalclever Lopes (PMDB), para estabelecer critérios de definição do nome do pré-candidato a prefeito de Belo Horizonte.

O partido tem dois pré-candidatos, os deputados federais Rodrigo Pacheco e Leonardo Quintão, e quer escolher rápido um deles já e aproveitar o espaço aberto pelo vácuo e impasse entre o grupo do prefeito Marcio Lacerda (PSB) e aliados (tucanos). O primeiro critério definido foi o do entendimento. Quintão e Pacheco irão buscar acordo entre eles: alguém terá que abrir mão. Eles têm prazo até a próxima sexta-feira, 10 de junho. Se não houver acerto entre eles, os nove membros da executiva vão decidir no voto na semana seguinte, até o dia 17.

Quintão, que é presidente da comissão provisória, participou da reunião. Uma das lideranças estaduais mais influentes no partido, Adalclever teria revelado, em conversas reservadas, preferência pelo nome de Pacheco. Ainda ontem, Pacheco teve audiência com o presidente da Câmara Municipal, Wellington Magalhães (PTN), que é interlocutor de peso junto aos outros 40 vereadores. Antes dele, o nome do pré-candidato do partido do prefeito Lacerda, Paulo Brant (PSB), também fez o dever de casa junto a Magalhães.

Renan deveria contar o que sabe

Fora do processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff (PT), por previsão constitucional, na condição de presidente do julgamento e por opção pessoal, vai abster-se da votação, o senador Renan Calheiros (PMDB) divulgou nota, nessa sexta-feira (3), considerando “preocupante” as iniciativas de encurtamento de prazos da defesa na comissão processante. Pela Constituição, a presidência do impeachment, no Senado, é do presidente do Supremo Tribunal Federal.

Renan criticou também a restrição ao direito de defesa, no tocante à utilização de provas, como as gravações telefônicas nas quais, em uma delas, ele mesmo aparece falando e admitindo que haveria relação direta entre o impeachment de Dilma e o fim da Operação “Lava Jato”.

Melhor do que a manifestação, Renan faria se pedisse, ou aceitasse eventual pedido, para depor na comissão e fazer as confissões que fez quando foi flagrado na gravação pelo ex-aliado e ex-presidente da Transpetro, Sérgio Machado. Vai lá, Renan, e conte tudo, como sua excelência costuma repetir, “para o bem do Brasil”.

Tempo de passarinho na muda

O vice-governador mineiro e presidente estadual do PMDB, Antônio Andrade, optou pelo recolhimento e voto de silêncio nesse momento de turbulência no qual o titular, Fernando Pimentel (PT), pode ser processado pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ).

Para não ser chamado de conspirador e golpista, não concede entrevistas nem se apresenta publicamente. “Passarinho na muda, não pia”, resumiu um aliado sobre seu desaparecimento. Outros, no entanto, o veem calado, mas atuante e em movimentação intensa por meio de seu núcleo duro.

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