Recheado de ataques mútuos e até insultos, como acusações de roubo de ambas as partes, o debate entre os candidatos à Prefeitura de Belo Horizonte realizado na noite dessa sexta-feira (22) foi marcado pelo tom agressivo entre João Leite (PSDB) e Alexandre Kalil (PHS) e pela ausência de propostas concretas para o município. No primeiro bloco, os dois postulantes à sucessão de Marcio Lacerda (PSB) focaram em questões delicadas da campanha rival e, em alguns momentos, precisaram ser contidos pela organização.

Logo na primeira pergunta, o empresário Alexandre Kalil questionou o tucano a respeito da qualidade da secretaria municipal de Saúde, controlada por indicados do PSDB desde o início da gestão Lacerda. João Leite respondeu que seu partido não esconde a participação na pasta, ao contrário de Kalil, que estaria omitindo o apoio dado a Lacerda em 2012. Em seguida, o empresário acusou o tucano de ter empregado a filha e o sobrinho na secretaria, o que classificou como “empreguismo”, que seria a “verdadeira causa para a má qualidade dos serviços de saúde”.

Abalado com o ataque, João Leite respondeu defendendo os parentes. “Minha filha e meu sobrinho são trabalhadores competentes. Ela inclusive hoje está trabalhando no Canadá. Então eu lamento que questões pessoais sejam levantadas assim”, afirmou, completando: “nesses 20 anos de vida pública, nunca fiz esse tipo de prática de empregar parentes”.

A linha de ataques não findou, com o tucano citando um ex-funcionário da empresa de Kalil. “Você não pagou o fundo de garantia dos trabalhadores e deixou o Seu Geraldo sem dinheiro. Ele é pobre, não tem dinheiro sequer para pagar as passagens de ônibus, e você não pagou. Mesmo assim, possui uma vida de rico, com carros caros na garagem, motos, lancha. Por que você não pagou os pobres?”, alfinetou João Leite.

O clima combativo entre os candidatos transformou a plateia do debate em torcidas organizadas, com ofensas e gritos de ordem sendo entoados pelas duas partes. A cena piorou ainda mais quando Kalil citou que João Leite estaria dentro da chamada “lista de furnas”, esquema de desvio de repasses públicas na usina mineira.

Com a acusação, João Leite rebateu pedindo direito de resposta e, com dedo em riste, chamou Kalil de mentiroso e afirmou que iria procurar a Justiça. O tucano negou que esteja envolvido no esquema. Os dois candidatos começaram a trocar frases fortes mesmo fora do tempo de resposta.

Indiretas. João Leite, depois, perguntou ao empresário a respeito das dívidas de sua empresa, afirmando que o empresário “não paga ninguém”. Em resposta, Kalil deu nova declaração forte. “Essa empresa que você fala, você conhece bem. Já foi até ela, subiu as escadas, sentou na poltrona preta e pediu dinheiro pra financiar sua campanha. Naquela época você não ficava preocupado, né?”, cutucou Kalil.

Nas perguntas de jornalistas, os dois candidatos precisaram responder sobre as lideranças de cada partido e como iriam lidar com a Câmara Municipal. Tanto Kalil quanto João Leite argumentaram de forma a se desvincular dos “caciques” das siglas. O tucano aproveitou algumas falas para continuar cutucando o empresário, citando, por exemplo, que foram “empreiteiros que não respeitavam as leis que ajudaram a quebrar o país”, fazendo referência óbvia a Kalil. “Vou atrás dos ricos caloteiros, gente que vive como rico e não paga IPTU”.

No final, Kalil defendeu que é necessário renovar a frota de ônibus da cidade e afirmou que a BH TRANS foi escolhida pelo PSDB por ser um “filé mignon” pra empregar parentes. “Temos que voltar a mandar, o comando do ônibus tem que ser do prefeito, não de empresas. Queremos abrir a caixa preta da BH Trans e tirar esse filé mignon gostoso da boca do PSDB”.

FRASES

Anjo

“O anjo perdeu a boca de aluguel. O desespero bateu, vamos colocar todos eles desempregados. Sou um empresário, um eleitor, e foram eles que enterraram esse país. Foram eles, a velha política.”
Alexandre Kalil

Beijos

“Você deve milhões para pessoas pobres e continua levando vida de rico. Eu te beijava mesmo, achava que você era outra pessoa. Jogadores falavam que você tratava mal alguns. Não dá pra te beijar mais.”
João Leite

Traição

“Beijo, se não for de filho, ou é de traidor ou de gângster, não quero. Você, antes, ia na minha empresa para pedir doação de dinheiro pra sua campanha, e hoje me ataca. Repito: beijo é de filho. Se não é traidor ou gângster.”
Alexandre Kalil

IPTU

“Você está rico, Kalil, e não paga o pobre. Fala que vai pagar o IPTU, pague logo então, pague os seus ex-funcionários. São R$ 140 milhões que você deve e na sua garagem tem moto, carro, lancha.”
João Leite

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