A cinco dias das eleições, a votação no domingo ainda enfrenta um impasse. Diversas escolas do país estão ocupadas por estudantes que protestam contra a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 241, que limita os gastos do governo com o estabelecimento de um teto para as despesas públicas. Em Minas, são 58 escolas estaduais ocupadas, oito delas em Belo Horizonte, sendo que sete abrigam seções de votação. Até o momento, não há definição sobre o que ocorrerá no domingo. Hoje, um encontro está agendado entre representantes do Tribunal Regional Eleitoral (TRE-MG) e lideranças do movimento estudantil para debater o assunto.

Segundo a União Colegial de Minas Gerais (UCMG), somando as instituições de ensino superior, ao todo, ontem, eram 62 escolas participando do movimento estudantil no estado. Na capital mineira, entre os colégios ocupados está o tradicional Milton Campos (Estadual Central), no Bairro de Lourdes, onde votam 8.575 eleitores, entre eles os candidatos João Leite (PSDB) e Alexandre Kalil (PHS), além do prefeito Marcio Lacerda (PSB) e do senador Aécio Neves (PHS).

Em estados como o Paraná, onde cerca de 850 escolas estão ocupadas, a Justiça Eleitoral já transferiu os locais de votação. Ao todo, 700.315 eleitores terão que votar em outro lugar. Em Minas, porém, o TRE informou que, por enquanto, não vai se posicionar sobre o tema. “Amanhã (hoje) teremos uma reunião com o TRE para definir sobre as eleições no domingo”, informou a estudante Késsia Cristina Teixeira, presidente da UCMG. “As eleições são um direito do cidadão, mas a ocupação também é um direito dos estudantes. Acreditamos que as eleições possam acontecer sem necessidade de deixarmos os prédios”, defendeu.

A Secretaria de Estado de Educação (SEE) informou que está negociando com os estudantes e confirmou que deve haver um diálogo entre as lideranças do movimento e o TRE. “Em relação à votação em segundo turno em escolas ocupadas, a Secretaria de Estado de Educação foi informada do diálogo aberto com o Tribunal Regional Eleitoral para tratar da questão. A SEE segue acompanhando todo o movimento dos estudantes e orientando as direções das escolas a atuar sempre com base no diálogo, respeitando o direito à livre manifestação dos movimentos estudantis”, informou a secretaria em nota.

Em Belo Horizonte, as sete escolas ocupadas que abrigam locais de votação somam 44.895 mil eleitores segundo o TRE-MG. Além do Estadual Central, tomado pelos estudantes há 20 dias, estão ocupadas as escolas Santos Dumont, Maria Carolina Campos, Geraldina Ana Gomes e Juscelino Kubitschek de Oliveira, na região de Venda Nova; a Escola Estadual Ari da Franca, no Bairro Santa Mônica; e a Escola Estadual Professor Ricardo Souza Cruz, no Bairro Caiçara.

Segundo Késsia Teixeira, o movimento não tem data para terminar e o objetivo é pressionar pela derrubada da PEC 241. “Queremos barrar também a MP 746”, diz a estudante, em referência à proposta do governo federal de reforma do ensino médio.

Fonte: Uai

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