Os espetáculos que irão compor a programação do FIT 2018 foram anunciados durante coletiva de imprensa realizada nesta segunda-feira, dia 27, no Teatro Francisco Nunes. A 14ª edição do Festival Internacional de Teatro Palco e Rua de Belo Horizonte acontece de 13 a 23 de setembro em diversos espaços da capital mineira. Durante dez dias, o festival vai trazer nove espetáculos internacionais e onze espetáculos de grupos e artistas nacionais.

Presidente da Fundação Municipal de Cultura, Fabíola Moulin destaca o caráter descentralizador do festival. “Essa edição do FIT BH conta com mapeamento territorial da cidade em que teremos espetáculos de palco e rua que irão ocupar outras áreas da cidade, por exemplo, Parque Mariano de Abreu (São Geraldo), Cabana do Pai Tomás, Ocupações Dandara e Vitória, Parque Lagoa do Nada, além de espaços como Centro de Referência da Pessoa Idosa”. A participação da sociedade civil na elaboração do festival também foi destacada por Fabiana. “Para essa edição, lançamos um edital em que selecionamos um parceiro, uma Organização da Sociedade Civil, o Instituto Periférico, que constrói o FIT junto com o poder público. Também lançamos um edital de curadoria. Recebemos quatro bons projetos e um deles foi selecionado a partir de algumas diretrizes como a curadoria colaborativa, com no mínimo três integrantes, que trabalhasse a diversidade e a pluralidade e que se conectasse aos debates contemporâneos”, enfatizou.

Um dos mais importantes festivais internacionais de teatro do país, o FIT-BH, em sua 14ª edição, lança olhar sobre a cena nordestina e as diásporas africanas, com debates estéticos e políticos sobre questões etnicorraciais e de gênero, em trabalhos de performers como Ntando Cele (África do Sul/Suíça), Dorothée Munyaneza (Ruanda/França), Jota Mombaça (Paraíba – BR) e Coco Fusco (Nova Iorque). A cena local terá ainda oito produções selecionadas por uma comissão convidada. Os ingressos serão vendidos pelo site do evento (www.fitbh.com.br ).

A curadora Soraya Martins pontua que o FIT 2018 traz o conceito Corpos-Dialetos que traduz a noção do teatro como língua no mundo. “Se pensarmos que dialetos são variedades linguísticas, marcadas pela diferença e desvalorizadas no sistema formal, trazemos o dialeto na perspectiva positiva, na capacidade de comunicar singularidades”. Soraia destaca que essa curadoria se interessa por espetáculos e produções diferenciadas. “Buscamos espetáculos que respondam esteticamente a questões sociais brasileiras para ampliarmos a noção de teatro brasileiro, que vai na contramão de um olhar eurocentrado. Pensamos em produções que trazem olhares e narrativas não hegemônicas, na possibilidade de trazer ‘histórias que não são contadas pelas narrativas hegemônicas”, comentou.

Participaram da coletiva, a presidente da Fundação Municipal de Cultura, Fabíola Moulin, a presidente do Instituto Periférico, Gabriela Santoro e as curadoras Grace Passô, Luciana Romagnolli e Soraya Martins.

A abertura do FIT-BH 2018 será no dia 13 de setembro (quinta-feira), a partir das 19 horas, no Parque Municipal, com apresentação dos espetáculos “Batucada” (PI), em versão para espaço público, concebida pelo prestigiado coreógrafo piauiense Marcelo Evelin; e “Looping: Bahia Overdub” (BA), idealizado pelos artistas baianos Felipe de Assis, Leonardo França e Rita Aquino. Os dois trabalhos vão envolver cerca de 200 pessoas de Belo Horizonte, artistas ou não, e serão construídos a partir de residências realizadas em período anterior ao festival.

Alinhados com o conceito do festival, nesta edição, os trabalhos nacionais e internacionais trazem propostas que refletem como as identidades marcam nossas vivências estéticas e políticas, dialogam com a realidade do país e repensam criticamente os processos de colonização. Solos como os deDorothée Munyaneza, Alesandra Seutin e Ntando Cele misturam linguagens do teatro, dança e música para reelaborar narrativas históricas oficiais a partir das experiências de corpos ainda em diáspora. Artistas portugueses também criticam seu passado colonial em “Libertação” e Um Museu Vivo de Memórias Pequenas e Esquecidas” (Portugal). E o potiguar “A Invenção do Nordeste” (RN) e o paulista “Isto É um Negro?” questionam a construção de identidades geográficas e étnico-raciais redutoras.

Da cena nacional serão apresentados os trabalhos: “A Gente Combinamos de Não Morrer” (PB), “A Invenção do Nordeste” (RN), “Assembleia Comum” (MG), “Batucada” (PI), “Chapeuzinho Vermelho” (RS), “Do Repente” (TO), “Isto é um Negro?” (SP), “Looping” (BA), “Merci beaucoup, blanco!” (BA), “Quaseilhas” (BA), incluindo dois trabalhos de Belo Horizonte – “Assembleia Comum” e a performance “Chorar os Filhos”, de Nina Caetano. Já na internacional, serão apresentados os espetáculos “Arde brillante en los bosques de la noche” (Argentina), “Black Off (África do Sul/Suíça), “Ceci N’est Pas Noire” (Inglaterra/Bélgica/Zimbabue), “Donde Viven los Barbaros” (Chile), “Eve” (Escócia), “Libertação” (Portugal), “Simón, el Topo” (Peru), “Um Museu Vivo de Memórias Pequenas e Esquecidas” (Portugal) e “Unwanted” (Ruanda/França).

Para a Mostra Local do festival serão escolhidos ao menos 8 espetáculos da capital mineira e Minas Gerais que contaram com processo de seleção por meio de regulamento, totalizando o recorde de 178 inscrições.

Projetos Especiais

A 14ª edição do FIT-BH promoverá diversas ações de formação, reflexão e intercâmbio. Serão realizadas oficinas com companhias que se apresentam no evento, residências artísticas, workshop, debates pós-espetáculo e produção de críticas. Além disso, será promovido um evento de capacitação de negócios com o intuito de potencializar a visibilidade e circulação da produção cênica da capital mineira – o CENABELORIZONTE.

Este ano também será realizado o Memória FIT, um conjunto de exposições que recordam espetáculos locais que fizeram parte da história do Festival. Em cada uma das exposições, serão apresentados objetos, figurinos, cenários e registros que procuram resgatar no espectador a memória de cenas e momentos vivenciados na trajetória do FIT, contando com o envolvimento de diversas companhias da cidade.

FIT-BH 2018

Desde a sua criação em 1994, o FIT-BH conquistou espaço no calendário cultural de Belo Horizonte. Durante 24 anos e 13 edições, o festival recebeu companhias e artistas de 42 países e ofereceu ao público belo-horizontino 365 espetáculos com linguagens e formatos diferentes, que ocuparam diversos teatros, espaços públicos e alternativos da capital. Desse total, 115 obras foram apresentadas por grupos e coletivos de Minas Gerais. A edição de 2018 será realizada com o valor total de cerca de 3,4 milhões de reais, semelhante ao realizado na edição de 2016, que totalizou 3,6 milhões.

Fonte: PBH

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